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A Cerâmica no Bonsai

Você já pensou em dar o primeiro passo para analisar a qualidade e estilo da cerâmica que influenciam, sem dúvida, o equilíbrio e a harmonia de seu bonsai? 

Minha dica é muito simples, comece por Tokoname, em Aichi-ken, no Japão. É um pouco longe mas, navegue pela internet, por este mundo globalizado e conheça a cidade que possui o mais antigo e maior forno para a queima da cerâmica do Japão.

 

Tokoname é uma cidade famosa pelas suas cerâmicas. Ela faz parte do chamado Rokkoyo, os seis distritos mais antigos que produzem cerâmica. As outras são: Shigaraki(Shiga-ken), Tanba (Hyogo-ken), Echizen (Fukui-ken), Bizen (Okayama-ken) e Seto (também em Aichi-ken). 

Para visitar a região onde as cerâmicas são produzidas e comercializadas, basta seguir o chamado "Yakimono Sanpomichi" (a trilha da cerâmica). Ao longo do caminho é possível apreciar as tubulações cerâmicas para saneamento e esgoto que pavimentam as ruas, e potes enormes que são utilizados na produção de shoyu. Chaminés antigas feitas de tijolos de barro enfeitam a cidade e, é claro, falando de bonsai, você encontrará em Tokoname a maior concentração de ceramistas especializados na arte de criar e produzir vasos para este fim. Os artesãos descobriram um nicho de mercado muito interessante para canalizar sua arte e aproveitaram para criar uma marca forte, não apenas de um único ceramista, mas a união de todos os ceramistas da região – A cerâmica Tokoname. O sonho de consumo de qualquer bonsaista ao redor do mundo. 

Já no Brasil, a arte de vasos para bonsai não está difundida e são poucos os ceramistas que migram para o desenvolvimento desta arte.  Por outro lado, os próprios bonsaistas começaram a se interessar mais pelos vasos gerando uma nova demanda e terminaram por descobrir que o mesmo é tão importante para seu projeto quanto a própria árvore.

Mas como entender a cerâmica?

Como saber escolher o vaso certo para cada árvore? 

 

 

ARGILAS, QUEIMAS E ESMALTES

Tipos de argilas, queimas e esmaltes diferenciam o produto final: O Vaso.

- Argilas em tons de creme ou marfim são mais claras e, com a esmaltação, se obtém vasos em tons de azul, verde e marrom. Ideais para árvores frutíferas ou com flores.

- Argilas terracota com porcentagens de óxido de ferro (em torno de 2%) são usadas para vasos em tons de marrom fosco. Estes vasos são mais utilizados para árvores coníferas. 

- Vasos mais claros com esmaltes brilhantes são produzidos com queimas em fornos elétricos e temperaturas que variam de 1220 a 1300ºC.

- Vasos sem esmaltes, mais escuros e foscos são queimados em fornos a gás ou a lenha com redução de oxigênio (denominação utilizada quando a chaminé do forno é quase totalmente fechada) de aproximadamente 1 hora e temperaturas que variam de 1180 a 1300ºC.

 

Para que você possa conhecer melhor o trabalho de um ceramista, dividi o processo de queima em alta temperatura (1220 a 1300ºC) em dez fases: 

1. A argila é modelada no torno, em placas ou em blocos.
2. Depois de descansar por meio período, cerca de 5 horas, a argila é novamente trabalhada para dar início ao acabamento.
3. Após esta etapa, a peça novamente deve descansar, pelo menos por um dia, coberta por plásticos.
4. Este descanso é importante e serve para que a umidade da argila fique por igual.
5. A peça agora está em “ponto de couro”. Inicia-se a secagem final antes da 1a. queima.
6. A umidade do ar deve ser analisada freqüentemente. Este fator influencia de maneira direta a secagem da peça que pode levar de 2 a 4 dias para a secagem completa.
7. Após a secagem, a peça está em “ponto de osso”. Será encaminhada para a 1a. queima ou, como também é conhecida, queima do biscoito.
8. A variação de temperatura, durante a 1a. queima, é de 600 a 900 ºC.
9. Após este primeiro processo de queima temos o “biscoito” que já pode ser esmaltado para se obter um acabamento externo vitrificado e colorido ou, para peças foscas e sem esmalte, seguir direto para a 2a. queima (1220 a 1330ºC).
10. O resultado final de um vaso só pode ser contemplado após a abertura do forno na 2a. queima. Para se chegar a uma temperatura de 1300ºC o forno chega a ficar queimando por aproximadamente 10 horas. Seguido de um resfriamento do material por pelo menos 12 horas. 

 

 

DESAFIOS

Depois de diversas experiências e produções, meu trabalho se destaca pelas peças com até 45 centímetros de largura. Minha escolha se deve principalmente pela limitação imposta pelos fornos onde faço as minhas queimas. Mas, para nós ceramistas, as limitações representam desafios e a descoberta de novos materiais. Por isso, tenho trabalhado na pesquisa de novas argilas para produção de peças maiores. 

Aumentar o tamanho de um vaso parece ser muito simples, mas, pelo contrário, representa o desenvolvimento de novas técnicas que mantenham a estabilidade do fundo da peça que, durante o processo de produção, sofre ondulações quando submetida a queimas de alta temperatura. 

A produção de um vaso é uma mistura de aprendizados – física, química, artes plásticas e outras técnicas. É uma pesquisa incansável na busca do equilíbrio e da perfeição. Não é um trabalho de apenas um ceramista. É um esforço conjunto dos ceramistas envolvidos com a produção da arte que completa o bonsai.

Hoje, no Brasil, devemos replicar as técnicas, o engajamento, o compromisso e a união dos ceramistas de Tokoname. Devemos incentivar a produção artesanal de novos artistas e bonsaistas. Valorizar o “vaso” como parte integrante da composição e estética do bonsai é fortalecer nossa arte e agregar valor ao nosso desenvolvimento.   
 

Sergio Onodera

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